
Recebi o diagnóstico de transtorno bipolar ainda na adolescência.
Na época, eu não entendia exatamente o que isso significava, só sabia que sentir parecia sempre mais intenso, mais confuso e mais cansativo do que para as outras pessoas.
Passei muitos anos tentando me encaixar.
Tentando ser “normal”, constante, previsível.
E falhando nisso repetidas vezes.
Sempre fui sensível, observadora, intensa.
Sempre senti demais.
E durante muito tempo, achei que isso fosse um problema a ser corrigido.
Minha vida não foi organizada desde o começo.
Houve perdas importantes.
Houve rupturas.
Houve tentativas de fugir, de recomeçar, de mudar de lugar achando que isso resolveria o que estava dentro.
Perdi meu pai de forma abrupta e isso marcou profundamente a minha história.
Também vivi o abandono, ainda muito pequena, e por muito tempo carreguei isso sem conseguir nomear o impacto real que teve em mim.
Essas experiências não me definem.
Mas moldaram a forma como aprendi a me relacionar com o mundo, com as pessoas e comigo mesma.
A psicologia não surgiu como um plano óbvio.
Ela surgiu como necessidade.
Em algum momento, percebi que queria entender o funcionamento humano, mas, principalmente, o meu.
Queria compreender por que algumas emoções vinham como ondas grandes demais, por que a intensidade era tão difícil de sustentar sozinha, por que a vida parecia exigir uma estrutura interna que eu ainda não tinha.
Foi nesse caminho que me tornei psicóloga.
Anos depois, já adulta, recebi o diagnóstico de transtorno de personalidade borderline.
E, ao contrário do que muitos imaginam, isso não foi um choque destrutivo.
Foi organizador.
Deu nome a padrões que eu já conhecia.
Trouxe clareza.
Responsabilidade.
E a possibilidade real de viver de forma diferente.
Não porque o diagnóstico explica tudo, mas porque ele ajuda a parar de lutar contra algo que precisa ser compreendido.
Hoje, atuo como psicóloga clínica com mulheres que vivem instabilidade emocional, especialmente aquelas com bipolaridade e borderline.
Não trabalho a partir de um lugar de identificação sem limites.
Nem de “eu sei exatamente o que você sente”.
Trabalho a partir de um lugar de responsabilidade, escuta profunda e estrutura.
Eu sei o que ajuda.
E sei o quanto uma terapia sem direção pode machucar.
Por isso trabalho com responsabilidade, escuta profunda e estrutura.
Essa história não está aqui para te convencer.
Está aqui para que você saiba que, se decidir começar um processo terapêutico comigo, você será acompanhada por alguém que:
- não te reduz a um diagnóstico;
- não romantiza sofrimento;
- não promete atalhos;
- não se assusta com intensidade;
- e não te abandona no meio do caminho.
Se você chegou até aqui e sentiu que faz sentido, o próximo passo não precisa ser grande.
Apenas consciente.
Você não precisa decidir tudo agora.